Haenyeo é um termo coreano que é atribuído às mulheres mergulhadoras da ilha sul-coreana de Jeju, a tradição do mergulho no mar sem o uso de cilindro remonta ao ano de 434 e tinha como objetivo a busca de animais para consumo e venda, promovendo sustento às famílias. 

 

A atividade, inicialmente, era uma responsabilidade voltada apenas para os homens que detinham o papel de sustentar suas famílias, mas no século XVIII as mulheres começaram a participar dos mergulhos e logo substituíram seus maridos, passando também a ter o papel de provedoras principais de suas casas.

 

Uma explicação para essa inversão pode estar ligada a biologia do corpo feminino: as mulheres têm uma maior gordura subcutânea e um limite de tremor mais alto que os homens, tornando-as mais aptas para suportar a imersão em águas frias. Outro fator está relacionado com a invasão Japonesa da Coreia do Sul em 1910, quando o país se tornou uma colônia japonesa, muitos homens tiveram que ir para as linhas de frente da guerra ou foram assassinados.

 

Para se tornar uma Haenyeo é necessário começar a treinar cedo, a partir dos 11 anos as meninas já realizam treinamento em águas rasas por um curto período de tempo, no total, são sete anos de treino para que uma Haenyeo possa estar “formada” e apta para mergulhar em águas profundas em busca de frutos do mar contando só com o ar em seus pulmões.

 

O auge da atividade foi durante a invasão japonesa, nessa época as Haenyeo tinham autorização do Japão para vender os frutos do mar, que antes eram oferecidos para o governo da Coreia como pagamento de impostos, os japoneses frequententemente também contratavam as mergulhadoras para que trabalhassem para si no Japão ou na península coreana como trabalhadoras assalariadas, contribuindo para melhorar significativamente a sua situação financeira. Em 1937 o número de Haenyeo que mergulhavam nas águas japonesas era de 1601 mulheres. 

 

Com o fim da dominação japonesa da Coreia do Sul e os longos períodos de guerra, a prática foi perdendo a força, contudo, a história de resistência dessas mulheres permanece e a atividade, embora em número reduzido de praticantes, se perpetuou até os dias atuais. Em março de 2014 o governo sul-coreano solicitou à UNESCO que as Haenyeo fossem inscritas na lista do Património Cultural Imaterial da Humanidade.

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